
Sexta feira 8 horas da manhã,
O Geraldo nos deu uma carona, estilo Selva, na caçamba da Fiorino até o Eldorado. Ônibus pra Viracopos. Ilustre encontro com nosso querido Togumi e nosso patrocinador Master Tani – Kailash.
Cinco horas de espera no aeroporto por conta das condições climáticas em Ilhéus: chuvas torrenciais. A voz dizia: “Vamos tentar pousar lá, caso contrário pousaremos em Salvador e o transporte será por terra (+ 6 horas).”
Pousamos em Ilhéus! Por volta das 16hs. Outras equipes pousaram em Salvador e chegaram na madrugada.
Recepção, teste de vo2, supermercado, jantar, briefing técnico e percebemos que nossa mochila com os equipamentos obrigatórios (lanternas, primeiros socorros), mochilas, hidratação… havia sido extraviado no caminho. Bom.. tínhamos as bikes e os remos ainda.. Graças a Deus temos ótimos amigos e arrumamos muita coisa emprestada para largar.
Mapa pronto, tudo pronto 1h da manhã de sábado. Por volta das 8:30 largamos.
Cerca de 1 hora depois, de corrida pela praia com breve costeira no final começamos a 1a natação do dia, uns 400 metros em um rio que cortava a praia, com a maré vazante, nos jogando pra fora. O mar tinha ondas de 0,5 metro.
Na equipe Eu, Marcelinho, Mariza e Fábio (Carcaça), que não sabe nadar. Doente?! Não corajoso. Logo o Juninho da Equipe Gantuá, que nos acompanhava de perto, começou a ajuda-lo, agradeci e falei para seguir com a equipe dele.
Tínhamos uma pequena prancha de body-board para ele, mas que ele mal conseguia segurá-la. Logo perdi Mariza e Marcelo de vista.
Peguei a prancha, ele se segurou em mim, e fomos lutando com a situação, arrastados pra bem longe. Ao perceber a demora um salva-vidas veio com uma prancha de surf e nos ajudou também. Carcaça já estava bem hidratado aquele momento, só que de água salobra. Ufa praia. Já estava exausto e o dia mal começara. Corremos feito doidos pra recuperar o prejuízo. O Caco que nos aguardava na transição, sereno como sempre, deu uma risadinha e nos tratava como filhos, com sanduba e coisas pra transição.
O tempo estava nublado com alguma precipitação. Logo depois de começarmos a remar, enfrentamos a arrebentação um tanto balançada e partimos rumo a ilha. Vimos um Tubarão na sequência.
Vi uma vez e pensei.. não é possível. Daí vi de novo e perguntei pra Mariza, vc viu!!?? Ela disse: “Sim e já tinha visto! Vimos a terceira vez: Ele emergia e ficava um pouco `a flor da água e depois submergia devagar.. foi dar uma inspecionada.. ainda bem que tem bastante comida ali.. Ainda bem que nadamos nada parecido com um peixe..
Não achamos o PC 4, demos a volta na ilha que ele estava marcado e nada.. perdemos algum tempo com isso e algumas equipes se distanciaram.
Fiquei mareado, passei mal e depois duns 15 km chegamos na praia.. ainda tinha uma corrida “push – kaiak” porque aportamos antes do PC.
Saímos pedalando forte pra recuperar tempo e logo travamos a disputa pela liderança, Um tombo meu e outro do Carcaça no caminho definia o estilo “capota mais num breca” numa lama abundante. Funcionou! Flamula de Liderança.
E havia outra flamula próxima, e cada uma delas valia $150.
Alan da Gantua que estava na nossa cola deu um tiro tão forte pra buscar a flamula que acabou passando dela.. Ela estava num down hill alucinante! Eu parti pra neutraliza-lo e peguei a flamula. Adrenado ainda dei uma bronca: “Perdeu playboy!! Vc tem que esperar sua equipe!”. Paulinho Organizador filmava a cena e dava risada J.
Fim do Down hill e da Bike, comemos bem e saímos para uma canoagem – técnicas verticas na cachoeira e canoagem de novo a até uma outro ponto da Lagoa Encantada, belíssimo cartão postal da região.
O vertical havia sido cancelado e rapidamente terminamos a etapa. Tinha um trekking de 30 k duro pela frente, com boa orientação.
Mantivemos o ritmo forte porque haviam poucas horas de luz. Estávamos progredindo rápido e baixando as estimativas da prova.
O rapaz do PC 13 estava assistindo TV dentro da casa dele, em uma vila no meio do caminho, esse foi o primeiro PC difícil de achar da prova.. gastamos preciosos minutos e mais correria pra aproveitar o dia. Chegamos rápido ao PC 14. Para o PC 15 a navegação foi bem difícil, as trilhas acabavam e se multiplicaram, varamos mato, batemos um pouco de cabeça. Chegamos nele no começo da noite. Seguimos para o 16 e último desse trekking, e o final da trilha estava totalmente alagada, com a água em nossa cintura em alguns momentos.. Encotramos ali nesse “pântano” os amigos da Advogado Aventureiro Euder e seu parceiro.
A Lagoa encantada estava totalmente alagada, de noite não dava pra ver nada e o sono já dava sinais de existência…O mato estava alto e não dava pra ver direito por onde o rio corria.
Depois de muito tempo batendo cabeça encontramos a luz no fim do túnel. Aquela canoagem parecia infinita.. No PC 17, final do trecho o Paulinho estava preocupado com as outras equipes.
Atravessamos o rio que remávamos pra iniciar o último trekking. Falei pro Paulinho que estava com medo de ir pra esse trecho, depois do perrengue.
Dito e feito:
Não conseguia começar a andar, simplesmente não entendia nada o que se passava… minha bússola estava em pane e eu dava passos totalmente inseguros. No escuro… numa trilha desenhada a caneta por mim no mapa, copiando um rabisco do Paulinho… com a bússola louca, invertida.. o sul havia trocado com o norte! Nunca tinha visto isso.
O Bico da Hidratação era de imã, e isso mudou o magnetismo dela. A mula aqui esqueceu..
Perguntei pra Mariza: “ VC está com o GPS track ? Ela disse: “sim, ele me deu sorte..” perguntei se ela queria navegar porque eu já não acreditava mais em nada. Cansados, sonados… partimos, no escuro.
(GPS track é um dispositivo muito bacana que acompanha e grava todos os movimentos da equipe durante a prova, mas as vezes que corri com ele foram bem inusitadas, com caminhos de muita diversão, pra quem assiste,
Devia ter a categoria GPS Track., bônus de 1 hora no tempo final rsrs… )
Mas não tinha certeza se a bússola invertera exatamente.. já tínhamos começado a andar, cruzado o rio, o organizador ido embora… e aí??? Tava louco! Aferi a bússola do relógio.. claro que lá pra frente a gente se perdeu, bateu cabeça de novo.
Quando estavamos voltando pra um caminho mais coerente encontramos o Xiquito Advogado seu parceiro e outra dupla masculina da Makaíra. Falei que o caminho aonde eles rumavam era roubada, competíamos em outra categoria, nos ajudamos e em 8 pessoas foi mais fácil e divertido o caminho até o final do trekking e final da noite. Achávamos que nossa vantagem ainda era boa, mero engano.. As equipes que vinham atrás de nós progrediram muito melhor e provavelmente com menos erros encostaram na gente. E nós num clima de calma partimos pra última Bike já de dia.
Nos perdemos mais um pouquinho na bike, senti um calafrio.. sabia que já tinha errado bastante. Encontramos a equipe que chegou em terceiro lugar, Makaíra, que achei que fosse a dupla quando vi de relance, mas não, era o quarteto mesmo! Isso faltavam apenas 3 PCs do 24 da prova. Acordamos e voltamos a concentração e ao nosso foco. Aceleração total e os últimos PCs passaram rápido. Vencemos o último trecho de Bike e a Carrasco 2011!!
Muito obrigado Kailash, Tani, , Caco, Geraldo por nos cuidar!
Abraços. Selva!
João Bellini.